Nos EUA, o segmento de medicamentos para obesidade dá mais um salto que, com certeza, repercutirá mundialmente. O Wegovy deixou de ser apenas um dispositivo e virou um ecossistema. A Novo Nordisk iniciou a comercialização da versão oral do medicamento, de uso diário, inaugurando uma fase em que o tratamento deixa de depender exclusivamente da caneta injetável.
Na prática, o jogo muda porque o acesso muda. A caneta semanal continua, porém agora divide espaço com um comprimido diário que preserva o mesmo racional terapêutico. É a mesma eficácia, com menos atrito. E, em saúde, atrito sempre foi o maior inimigo da adesão.
O mercado reagiu como se espera quando algo que já é grande ganha escala. Após a aprovação do FDA, as ações da Novo Nordisk acumularam valorização próxima de 15% em cerca de 30 dias. E há um ponto-chave: até agora, o Wegovy é o único medicamento dessa nova geração aprovado para emagrecimento em forma de comprimido nos Estados Unidos.
Tudo isso acontece num mercado estimado em US$ 20 bilhões apenas neste ano. Não é mais só ciência. É logística, capacidade produtiva, precificação, acesso e experiência do paciente. Quem dominar esse conjunto, lidera o mercado.
Do outro lado está a Eli Lilly, hoje a única farmacêutica do setor a atingir valor de mercado de US$ 1 trilhão. Seu principal produto, o Mounjaro, segue como referência clínica e tem versão oral em desenvolvimento, o que indica que a disputa está longe de esfriar.
E o Brasil?
Por aqui, o Wegovy injetável já é realidade nas farmácias, mas a versão em comprimido ainda não foi submetida à Anvisa. Considerando os movimentos regulatórios na Europa e no Reino Unido, o cenário mais realista aponta para um lançamento no Brasil entre 2026 e 2027, condicionado a estratégia comercial, escala industrial e negociações de acesso.
Em outros mercados, especialmente Europa e Reino Unido, o caminho tende a ser semelhante: entrada gradual, priorizando países onde a combinação entre regulação e reembolso favorece rápida adoção. Quando isso se consolidar, a conversa muda definitivamente de patamar.
A partir daí, a pergunta deixa de ser “qual molécula é melhor” e passa a ser “qual formato ganha o dia a dia do paciente”.
E nesse critério, o comprimido diário não é coadjuvante. É protagonista.
