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Previsibilidade e segurança em drenagem pancreática guiada por EUS

By 10 de fevereiro de 2026 No Comments

A drenagem transluminal guiada por ultrassom endoscópico (EUS) representa um dos maiores avanços no manejo minimamente invasivo de pseudocistos pancreáticos e coleções associadas. Com a incorporação de sistemas de entrega com eletrocautério integrado e stents metálicos autoexpansíveis, o procedimento tornou-se mais eficiente, com menos etapas e maior taxa de sucesso técnico.

No entanto, à medida que a técnica amadurece, a discussão clínica deixa de girar em torno da viabilidade do método e passa a se concentrar em um ponto mais sensível: o grau de previsibilidade e controle que o sistema oferece ao operador no momento crítico da implantação.

Segurança começa antes do contato com o tecido

Em procedimentos EUS-guiados, o risco não está apenas na indicação inadequada ou na curva de aprendizado do operador. Ele reside, muitas vezes, no desenho do dispositivo: como a energia é entregue, como o acesso é criado e como o stent se comporta durante e após a liberação.

Sistemas como o Z-EUS IT™, desenvolvido pela M.I.Tech, foram concebidos a partir dessa premissa: reduzir variáveis críticas no exato momento em que erro não é uma opção.

A ponta de eletrocautério com cobertura metálica integral (Electrode Punch Tip – EPT) permite penetração controlada e eficiente, minimizando a necessidade de força mecânica excessiva e reduzindo o risco de acessos instáveis. Esse detalhe de engenharia responde diretamente a um dos principais fatores associados a eventos adversos descritos na literatura: a perda de controle durante a criação do trajeto transluminal.

Estabilidade não é um luxo técnico, é requisito.

Outro ponto central é a estabilidade do sistema durante o deployment. O uso combinado de luer lock, sheath lock e spin lock foi pensado para permitir ao operador manter o alinhamento do sistema ao endoscópio, reduzindo microdeslocamentos no momento da liberação do stent.

Especialmente em anatomias desafiadoras ou coleções complexas, essa estabilidade é determinante para evitar liberações incompletas, expansões assimétricas ou necessidade de manobras corretivas. Situações estas amplamente reconhecidas como gatilhos complicadores.

Ancoragem eficiente e remoção previsível.

A literatura endoscópica é clara ao apontar que migração do stent e dificuldade de remoção estão entre as principais fontes de eventos adversos tardios em drenagens pancreáticas.

O desenho de flanges bilaterais amplas, associado a um laço dedicado para remoção, permite ao stent manter-se firmemente posicionado durante o tempo terapêutico necessário e, ao mesmo tempo, ser removido de forma controlada quando indicado. Esse equilíbrio entre fixação e removibilidade é particularmente relevante em pseudocistos e coleções walled-off necrosis, onde o acompanhamento evolutivo é parte do tratamento.

Padronização do gesto técnico como fator de segurança.

Sistemas que permitem operação com uma única mão, feedback tátil claro e lógica de liberação intuitiva reduzem a variabilidade entre operadores e serviços. Menos improviso, menos dependência de força e mais padronização significam menos risco acumulado.

Além disso, a disponibilidade de múltiplos diâmetros e comprimentos (10 a 16 mm; 20 a 40 mm) permite adaptação anatômica sem soluções de compromisso, um fator consistentemente associado a melhores desfechos clínicos em estudos multicêntricos.

O que os dados científicos sustentam.

Estudos indexados demonstram que sistemas de drenagem EUS-guiada com:

  • eletrocautério integrado,
  • mecanismos de liberação estáveis,
  • flanges amplas,
  • e design totalmente removível

apresentam altas taxas de sucesso técnico, menor necessidade de dilatações adicionais e redução de eventos adversos relacionados à implantação e à migração.

Esses achados reforçam uma mudança de mentalidade: inovação verdadeira não é acelerar etapas, mas eliminar incertezas.

Conclusão

Em endoscopia terapêutica avançada, tecnologia não pode ser apenas sofisticada – precisa ser previsível. Dispositivos bem desenhados reduzem variáveis críticas, protegem o operador e, sobretudo, preservam o paciente.

Quando o debate global sobre segurança se intensifica, a resposta mais sólida não está em discursos defensivos, mas em engenharia responsável, controle procedural e respaldo científico consistente.

No fim, a medicina sempre cobra a mesma conta: o que falha não é a intenção, é o sistema.

Referências bibliográficas

  1. Bang JY, Navaneethan U, Hasan MK, et al. Non-superiority of lumen-apposing metal stents over plastic stents for drainage of pancreatic pseudocyst: a randomized trial. Gastroenterology. 2019;156(4):1054–1064.
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  5. Fugazza A, Sethi A, Trindade AJ, et al. International multicenter analysis of adverse events associated with EUS-guided drainage of pancreatic fluid collections. Endoscopy International Open. 2020;8:E556–E565.
  6. Teoh AYB, Dhir V, Jin ZD, et al. Consensus guidelines on optimal management in interventional EUS procedures. Gut. 2018;67:1209–1228.

Fontes técnicas

  • Catálogo técnico Z-EUS IT™, M.I.Tech Co., Ltd.
  • Ficha Técnica HANAROSTENT – Hot Plumber™, Registro ANVISA 80065320304

 

Daniel Souza

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